Projeto: Diagnóstico da Geração e Tratamento do Lixiviado de Aterros Sanitários do Estado do Rio de Janeiro (PIC UVA)

Justificativa:

Segundo Weetman (2019, p. 31), a população mundial cresceu exponencialmente nas últimas décadas, saltando de 3,3 bilhões de habitantes para 7,2 bilhões em 2015. Este crescimento impulsionou o comércio global, o processo de urbanização, o processo de industrialização e a degradação ambiental. A concentração de capital acirrou pressões ambientais e as injustiças sociais. A lógica da economia linear, “extrair, produzir, comercializar e descartar” vem gerando sobrecargas ecológicas sem precedentes, levando ao cenário de caos ambientais que se vive hoje em uma nova era geológica, o antropoceno.

A destinação final ambientalmente adequada de resíduos figura como uma importante ação para mudanças deste paradigma ambiental. O tema é pauta prioritária para empresas, governos e sociedade que almejam contribuir para a mudança deste status e para o desenvolvimento de uma economia circular, que ressignifique os resíduos e consequentemente a lógica do descarte.


Em outubro de 2010 foi sancionada a Lei 12.305 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) no Brasil. Desta forma, as diversas esferas governamentais deram início a um processo de articulação política, técnica e legal a fim de reverter o cenário da gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) no País, até então, marcado pela disposição final inadequada em vazadouros. Infelizmente, apesar dos esforços, ainda restam traços de medievalidade nas práticas de gestão resíduos no País. Esta cultura baseada no descaso ambiental sistemático desvia do olhar ambiental necessário à manutenção do equilíbrio ecológico.


Considerando este cenário, vale destacar a relevância da correta drenagem e tratamento do chorume/lixiviado para a manutenção da qualidade ambiental. O chorume, assim como o biogás, é um dos subprodutos da degradação da fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos nas áreas de disposição final (vazadouros, aterros controlados e aterros sanitários).


Segundo Vilhena (2010), “[...] chorume é um líquido de composição bastante variável que adquiriu características poluentes devido ao seu contato com uma massa de resíduo sólido em decomposição” A NBR 8419/92 esclarece que a “lixiviação” é o deslocamento ou arraste, por meio líquido, de certas substâncias contidas nos resíduos.


Uma série de fatores contribuem para a geração de chorume e para as suas características físicas e químicas durante a operação de um aterro sanitário, aterro controlado ou lixão. Dentre eles, destacam-se três: 1) Clima (chuvas, escoamento superficial, infiltração, evapotranspiração e temperatura); 2) Resíduos Sólidos (tipologia, composição, densidade e teor de umidade inicial) e; 3) Disposição (permeabilidade, idade do aterro e profundidade).


Desta forma, entende-se ser relevante a realização de levantamento diagnóstico para verificar as condições de geração, armazenamento e tratamento de chorume no Estado do Rio de Janeiro.

Objetivos:

Objetivo Geral:


Realizar o diagnóstico o diagnóstico da geração e tratamento de lixiviado de aterros sanitários do Estado do Rio de Janeiro: Cenário 2022


Objetivos específicos:

  • Quantificar o lixiviado gerado e a forma de tratamento adotada nos aterros sanitários ativos e inativos do Estado do Rio de Janeiro;

  • Quantificar o lixiviado gerado e a forma de tratamento adotada nos aterros controlados ativos e inativos do Estado do Rio de Janeiro;

  • Quantificar o lixiviado gerado e a forma de tratamento adotada nos vazadouros ativos e inativos do Estado do Rio de Janeiro;

  • Mapear as diferentes tecnologias de tratamento de lixiviado adotadas pelos locais de destinação final de RSU do Estado do Rio Janeiro;

  • Produzir o inventário de lixiviado do Estado do Rio de Janeiro a partir de estimativas

  • Produzir o mapa de armazenamento e tratamento de lixiviado do Estado do Rio de Janeiro, cenário 2022.

Metodologia:

A primeira etapa metodológica deste projeto de pesquisa será a realização de revisão bibliográfica com o fito de estabelecer um denso referencial teórico, direcionado para a busca de conceitos, legislações, normas, diretrizes e procedimentos, nacionais e internacionais de destinação final de resíduos. Para a uniformização de sinônimos no processo de pesquisa e localização de dados, serão utilizados os seguintes descritores: Aterros Sanitários; Aterros Controlados; Vazadouros; Estado do Rio de Janeiro; Lixiviado/ Tratamento de Lixiviado. As principais bases de dados a serem utilizadase serão a SciELO (Scientific Electronic Library Online), ERIC (Educational Resources Information Center), Portal Periódicos Capes e Google Acadêmico.


A segunda etapa metodológica será a internalização das informações obtidas na revisão supracitada, composição de referências consultadas, análise crítica das informações obtidas e criação da planilha de Controle de Geração e Tratamento de Lixiviado, por município do Estado do Rio de Janeiro, identificado município gerador, volume de armazenamento em lagoas e solução tecnológica adotada para o tratamento do lixiviado. Para tal ação será utilizado o Software Excel. Posteriormente, será elaborado um mapa diagnóstico da situação de geração, armazenamento e tratamento de lixiviado do Estado do Rio de Janeiro, a partir do uso da ferramenta ArcGis, ou similar.


A terceira etapa metodológica será a produção de artigo científico derivado da Pesquisa de Iniciação Científica em questão, com vistas submissão na revista “Engenharia Sanitária e Ambiental” da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES).

Resultados Esperados (Metas):

Este projeto terá como resultado a produção e atualização de dados sobre a geração, armazenamento e tratamento de lixiviado no Estado do Rio de Janeiro, cenário 2022, bem como a produção de mapas diagnósticos em ArcGis (ou similar) e artigo científico a ser submetido para à Revista Engenharia Sanitária e Ambiental.

Equipe de Pesquisa:

Coordenador: Carlos Eduardo S. C. P. da Cunha (carlos.pinheiro@uva.br)

Pesquisador Focal: Larissa Stankevicius (larissastankevicius@hotmail.com)

Pesquisador: Pablo Gino Vimercati Simas (pablovimercati@gmail.com)

Colaborador 1: Rafaela Naegele Alvernaz (rafaela.naegele@gmail.com)

Colaborador 2: Ricardo Soares (ricardo.soares@uva.br)